sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Depois de um filme chato


Na Panela: Depois do Filme (Texto, Direção e Interpretação: Aderbal Freire Filho)
Onde: Teatro Municipal de Ouro Preto/MG - Festival de Inverno/Forum das Artes 2012.


Aberbal Freire Filho é autor e diretor com currículo vasto. Tem experiência com os clássicos e também carrega na bagagem sucessos como As centenárias, com as divas Marieta Severo e Andrea Beltrão. Aos 70 anos e produzindo sem parar, realizar o que quiser no teatro é um direito conquistado, mesmo que o resultado seja insatisfatório. É o caso de Depois do filme.

O monólogo escrito e dirigido por ele resulta insosso não pela falta de qualidade do texto ou, de modo geral, pela proposta da encenação, mas sim pelo seu desempenho medíocre como ator.

Derrubam o espetáculo o despojamento físico e o "carioquês" insuportável que definem a construção da personagem Ulisses,  um chato suicida que vaga pela zona sul do Rio de Janeiro travando diálogos filosofantes  recortados na forma de um roteiro de cinema, além da canastrice na composição de algumas figuras, como é o caso de uma jovem “de belos peitos”. Há cadeiras espalhadas no palco em disposição puramente estética, pois contribuem pouco para dar significado ao que é narrado e, para além delas, o Ulisses que imaginamos ser possível contemplar numa tela de cinema quando ouvimos Aderbal nos sugerir verbalmente cortes, closes e elipses é muito mais interessante. E essa fuga imaginativa que nos afasta do meio material onde a obra se faz – o palco, a luz, o corpo e a fala de Aberbal – me parece ser muito mais própria da literatura do que do teatro. Trata-se de um jogo mal jogado pelo ator. Escapamos porque o que temos diante dos olhos é monótono e não porque ele necessariamente pretendia que escapássemos.

É isso. Eu adoraria ler Depois do filme. Ou ver esse texto plenamente realizado na forma de filme. E isso é péssimo quando lembramos que estamos falando de uma peça de teatro.

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