segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Filho Eterno: Menos é sempre mais


Na Panela: O Filho Eterno [Direção: Daniel Herz; Texto: Cristovão Tezza; Adaptação: Bruno Lara Resende; Com: Charles Fricks]
Onde: Oi Futuro - Flamengo

Um ator excelente, um belo texto, duas cadeiras como cenário e uma boa iluminação compõem a receita econômica e eficiente do monólogo O Filho Eterno, adaptação do livro do paranaense Cristovão Tezza lançado em 2007. Sozinho em cena, Charles Fricks desdobra-se brilhantemente na pele de um escritor (o próprio Tezza) cujo filho nasce com Síndrome de Down, ora narrando, do ponto de vista distanciado de quem olha para o tempo que ficou para atrás, ora presentificando momentos-chave dessa paternidade que se constituiu dolorosamente sob o signo da vergonha numa época em que crianças com a síndrome ainda eram chamadas comumente de mongoloides.

Um filho é sempre a ideia de um filho, como diz o pai logo no início da peça. Uma imagem. Uma promessa de alegria que, naquele caso, se desfez diante de uma sentença irrevogável: a responsabilidade sobre uma criança que não seria nunca como as outras. É esse o tom, não há meias palavras para o desespero em O Filho Eterno. O amor paterno? Uma epifania no cotidiano de quem, de tanto rejeitar  por anos a fio a diferença, acaba por ceder à potência afetiva do abraço da cria.

Ser pai é sempre a ideia da paternidade. Ou seja, é um risco.

Nenhum comentário:

Postar um comentário