domingo, 10 de abril de 2011

Soraya Ravenle: Uma senhora cantriz


Na Panela: Soraya Ravenle - Arco do tempo
Onde: SESC Copacabana



Pois é, voltei. Quarta-feira, último show da curta temporada de Soraya Ravenle na arena do SESC Copacabana, desta vez decorada com tecidos leves e translúcidos que pendiam do teto, compondo uma colcha de retalhos tal qual o vestido da cantriz. Palavrinha ridícula, mas Soraya é mesmo uma excelente cantora e atriz que, nesse show, são duas dimensões fundidas em uma só.

As canções de Paulo César Pinheiro que compõem o repertório do CD Arco do Tempo, ganham aqui o reforço de interpretações que valorizam não apenas os desenhos melódicos, mas a poesia de Paulo, suas palavras, como fica evidente em Minha missão (E a cigarra quando canta morre/E a madeira quando morre canta), à capella. Se Senhorá (Roque Ferreira) é puro deleite (Os sonhos que eu sonhei, senhorá/Eu quero sonhar de novo, senhora, ô, senhorá), tal como o frevo Ninho de Vespa (Dori Caymmi), Cristal Lilás (Maurício Carrilho) surge tensa em clima de tango, com letra pugente sobre o amor,  e Carta Branca (Baden Powell) é delicioso samba de dor de cotovelo no melhor estilo de Vou deitar e rolar (um clássico da dupla Baden e Paulo). Por fim, um dueto afetivo com a filha Júlia fechou o espetáculo, comovente.

Tudo isto em sintonia com uma presença luminosa, de quem há mais de 20 anos frequenta os palcos do Rio, figura recorrente no elenco de musicais. Pena que o futuro deste tipo de espetáculo seja incerto, quando merecia rodar o país, levando as canções primorosas de Paulo (e seus parceiros) e a competência de Soraya Ravenle à ouvidos atentos de outras regiões.

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