domingo, 13 de março de 2011

Marcelo Jeneci: Feito pra acabar?


Na Panela: Marcelo Jeneci
Onde: Oi Futuro - Ipanema



Mesmo sabendo da odisséia que é conseguir um ingresso no Oi Futuro Ipanema (teatro pequeno + artistas que você pensa que ninguém conhece, mas igual a você existe um monte de gente), meu domingo cinza merecia Marcelo Jeneci e as delícias do seu álbum Feito pra acabar, um dos destaques do ano passado. Destaque afetivo, inclusive. Jeneci faz música pop redonda do tipo que a gente se apropria e quando nos damos conta já somos co-autores, digamos assim. Quase que  volto para casa mais uma vez sem conseguir entrar no maldito teatro, mas minha cara de piedade me valeu um ingresso.

O show é azeitado, apesar de que os arranjos perdem ao vivo algumas nuances. Em compensação, outros ganham peso, como é o caso de Copo D'água, mais roqueira, logo na abertura, ou da maravilhosa música que batiza o disco alocada no meio do roteiro. Jeneci (excelente instrumentista, domina vários instrumentos em cena além do seu característico acordeon) é um cantor limitado, mas conta também no show com o apoio sedutor de Laura Lavieri, a misteriosa voz feminina onipresente no disco.

Sabe a cara do personagem Marco de Fale com ela nas platéias de espetáculos de dança no início e no final do filme? Então, deve ter sido daquele jeito que eu ouvi Pra sonhar (Quando te vi passar fiquei paralisado/Tremi até o chão como um terremoto no Japão), Tempestade emocional (Vai chover desilusão), Felicidade (Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser) e Longe (Não dá mais pra voltar/E eu nem me despedi).

A música de Jeneci não é feita para acabar. Nós é que somos, depois de carregá-las na memória, quiçá por toda uma vida.

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