quarta-feira, 30 de março de 2011

A exposição do Escher no CCBB


Outro dia rolou uma discussão meio besta na sala de aula, o que motiva este comentário. Alguém implicou com o fato de que era quase impossível transitar em silêncio entre as salas lotadas da exposição O mundo mágico de Escher no CCBB - Centro Cultural do Banco do Brasil, que saiu de cartaz agora no último dia 27. Eram muitos estudantes, muito ruído, quase um insulto à idéia de um espectador civilizado e contemplativo. A outra reclamação era que a curadoria trouxe, além das obras de Escher, instalações tridimensionais e vídeos em 3D que espetacularizaram o ambiente, banalizando o trabalho do artista em favor de mais atrativos para o público. Ora bolas, que bobagem. A atração de um grande número de pessoas para um espaço que de algum modo tem uma aura tão elitista pode ser positiva, desde que exista uma ação educativa por detrás. E eu não estou querendo dizer com isso que as pessoas devam ser forçadas a ter uma relação religiosa com as artes. Olhem bem para o trabalho Belvedere, acima. É fato que você tem que dedicar alguns minutinhos para entender porque ele constrói um "espaço impossível", mas a sua lógica  é tão empolgante que mandar um grupo de garotos calar a boca enquanto a desvendam seria pedante. Se a exposição virou um hit, azar de quem deixou para ir até lá nos últimos dias. Quanto aos elementos "espetacularizantes", eu considero todos positivos, porque são desdobramentos das obras de Escher, um artista tão genial que, valendo-se principalmente da xilogravura e do espaço bidimensional da impressão, propunha imagens que nos remetem imediatamente a seqüencias de filmes como A Origem (do Chris Nolan) que impressionaram a tantos no cinema. A relação de Escher com outras mídias é legítima. Como já dizia Benjamin, naquele ensaio sobre a obra de arte na era da reprodutibilidade técnica, algumas linguagens artísticas tentam dar conta de uma demanda que força os seus próprios limites e abre caminho para a criação de novas manifestações mais adequadas a ela, como foi o caso da fixação do Futurismo pelo movimento, que só teria abrigo pleno na linguagem do cinema. O que surpreende em Escher é que, mesmo que seus temas tenham vazado para outras linguagens, as suas imagens continuam sendo foco incessante de interesse e admiração.

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