sábado, 11 de dezembro de 2010

Marlene Dietrich, as Pernas do Século: Joga no Google!


Na Panela: Marlene Dietrich - As pernas do século [Texto: Aimar Labaki; Direção: William Pereira; Direção Musical: Roberto Bahal. Com Sylvia Bandeira, José Mauro Brant, Marciah Luna Cabral e Sílvio Ferrari]
Onde: Solar de Botafogo.
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Quem foi Marlene Dietrich? Joga no Google! Menos instantâneo e mais caloroso é o espetáculo musical em cartaz no Solar de Botafogo, que presta tributo a esta mulher que já era uma estrela do rock antes mesmo do rock existir (frase da peça). Dietrich morreu em 1992 aos 90 anos em Paris, trancada em seu apartamento. Só recebia a filha e a empregada. Madonna, super-blonde e sexualmente provocativa, ou seja, fã da diva alemã, já escandalizava meio mundo naquela época. E é uma conversa com um entregador de champagne (José Brant), conhecedor de Madonna que sequer havia ouvido falar nessa tal de Marlene, o mote para que a senhora, interpretada por Sylvia Bandeira, conte o seu passado de glórias à platéia que se faz representar na figura daquele jovem, numa simples e eficiente licença poética da dramaturgia. Da Berlim romântica e pobre dos anos 20 à Hollywood glamourosa dos anos 40, do ativismo de guerra à shows caríssimos em Las Vegas, a biografia deste mito do cinema e dos cabarés é descortinada também por meio das canções que fizeram sucesso em sua voz, com o apoio de Marciah Cabral e Sílvio Ferrari, que se desdobram em vários personagens e narradores. Daí vem grande parte do charme do espetáculo: todo o elenco canta muito bem e o passeio musical é harmonioso, discreto, sem grandes arroubos dramáticos (Destaco o medley que uniu Where have all the flowers gone, de Peter Seeger, e Blowing in the wind, de Bob Dylan). O saldo é o serviço prestado pelo espetáculo, que traz à lembrança algo que já se perdeu na nossa cultura pop: o glamour e a elegância inatingíveis onde se fabricavam e se equilibravam as estrelas do passado. E por isto tornaram-se mitos cruéis: nenhum dinheiro do mundo nos daria aquela aura. Nenhum. 

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