sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Matador de Santas: Melodrama familiar policial ao som de um bolero


Na Panela: O matador de santas [Direção: Guilherme Leme; Texto: Jô Bilac; Com Ângela Vieira, Rafaela Amado, Tonico Pereira e Rafael Sieg]
Onde: Teatro Clara Nunes - Gávea
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Adoro ir ao teatro sem ter idéia do que vou encontrar. E nunca se espera encontrar um melodrama familiar sob o pano de fundo de um mistério policial, ao som de um bolero. Parece brega como o espelho em forma de coração e o lustre de tom encarnado que se destacam no cenário, mas não é. Grata surpressa esse O matador de santas, escrito por um dramaturgo brasileiro, Jô Bilac. Nele, o velho pai aposentado e a filha esquisita (que à despeito disso está prestes a se casar com um médico tão bem sucedido quanto afetado) estão submetidos ao comportamento controlador de Jorgina, tipo venenoso que quer provar a todo custo que o vizinho é o serial killer que vem aterrorizando a cidade, degolando moças com nomes de santas. Ângela Vieira brilha na pele de Jorgina, apesar da rigidez de algumas marcações, bem como Tonico Pereira, cujo personagem só abre a boca pra se defender da língua ferina e do humor negro da esposa na última cena da peça. É um prazer pra mim, que convivo com a cena carioca há apenas alguns meses, ver o outro lado da moeda destes rostos conhecidos da TV. O palco deixa à mostra tudo o que um close e um texto coloquial banal naturalmente ocultam num folhetim das 21:00. É nesse terreno fértil que fakes como um tal de Paulo Vilhena insistem em se habilitar, participando de montagens "ousadas" como  Hedwig e o Centímetro Enfurecido, onde o dito cujo interpreta um travesti. Se fui ver? Claro que não! Mas fui bombardeado por milhares de manchetes retardadas que consideram o fato de um um galã medíocre se travestir no palco digno de relevância. Merda pra ele, literalmente. Porque ingressos vendidos com certeza ele já tem.

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