domingo, 28 de novembro de 2010

Adriana Partimpim: Enquanto isso, no Centro do Rio...


Na Panela: Adriana Partimpim - Dois é Show.
Onde: Arcos da Lapa - Centro.
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28 de novembro, belo domingo ensolarado na cidade de São Sebastião. Às 17:00, quando Adriana Partimpim subiu em um dos palcos do projeto Brasilidade, promovido pelo Minc para levar a diversidade cultural brasileira às ruas do Centro, o que estariam fazendo as crianças que moram nas favelas distantes que dominaram o noticiário semanal? Ninguém sabe, ninguém nunca vai saber. Antes ou agora, depois da tomada do Complexo do Alemão, essas narrativas, tão pouco maniqueístas e afastadas do gosto popular, não vendem jornal e permanecerão escondidas. O público não era numeroso, talvez por causa dos conflitos na cidade, ou talvez por ter sido a divulgação do evento ofuscada pelo tal combate ao terror. Foi um bom show? Eu particularmente não gosto de Partimpim 2, que é um disco bem inferior ao primeiro projeto infantil de Adriana Calcanhotto e me soou como uma jogada de marketing da gravadora desesperada pela queda vertiginosa da vendagem de discos. E como o Partimpim foi um sucesso... por que não um segundo volume? As melhores músicas do show foram justamente aquelas do projeto originário (Ciranda da Bailarina, Lig-lig-lig-lé, Saiba, Canção da falsa tartaruga), com algumas exceções como Alexandre (um delioso axé didático e de letra quilométrica retirado daquele que talvez seja o último grande disco de canções de Caetano Veloso, Livros). O clima lúdico criado pelos figurinos e pelos objetos coloridos e brinquedos do cenário também foram prejudicados pela luminosidade natural, mas valeu pela iniciativa de levar esse tipo de espetáculo às ruas, de graça. Pena que tal iniciativa, por mais bem intencionada que seja, parece atingir somente aqueles que já se converteram à idéia de que a arte e a cultura tem algum valor, que o cultivo da boa música é coisa que começa no berço, que acreditam (mesmo que não consigam justificar esta crença) que a partir dessa "educação estética" os filhos podem se tornar pessoas melhores quando forem gente grande. Mas, para além de tudo isso, os mendigos da Cinelândia assistiam ao jogo do Flamengo na TV e crianças sujas, filhas de não sei quem, corriam entre os pombos, inalcançadas pelos valores cultivados pelos pais zelosos que carregavam seus filhos (lindos!) nos ombros à um quarteirão dali.

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