domingo, 4 de julho de 2010

Devassa - Segundo "A Caixa de Pandora" (Lulu): Um bom TCC?


Na Panela: Devassa - Segundo "A caixa de Pandora" (Lulu), de Frank Wedekind. [Cia dos Atores, direção de Nehle Franke]
Onde: Espaço SESC Copacabana.
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Assisti a quase todos os TCC's (Trabalhos de Conclusão de Curso) do pessoal de Artes Cênicas da UFOP produzidos nos últimos cinco anos e esta é a minha formação teatral como espectador em Ouro Preto, já que a cidade só costuma receber espetáculos do circuito nacional (leia-se Belo Horizonte. São Paulo e Rio só no tempo de vagas gordas...) em julho, no Festival de Inverno. Então, quem movimenta a "cena" local, hoje bem decadente, são os estudantes. Mas, se digo que as coisas não andam tão bem das pernas, em consequência de uma certa imaturidade das últimas turmas que ingressaram na universidade, é porque houve grandes momentos. Esses são alguns dos meus paradigmas de realização cênica e é a partir deles que posso dizer que o novo espetáculo da Cia dos Atores funciona como um bom TCC. Por que digo isto? Porque a companhia comprou a idéia sempre ambiciosa de montar um texto alemão difícil do final do século XIX e  que resultou, após o processo de adaptação, numa peça um tanto longa, mas concisa. Trata-se de texto, como o próprio nome já insua, sobre a mulher. Uma narrativa complexa, cheia de sobreposições de imagens, gira em torno de uma figura feminina misteriosa que espalha a destruição entre vários homens e uma aristocrata lésbica. Os primeiros minutos são até incômodos, pois não se sabe se o se jogo de palavras sem sentido vai se conectar numa narrativa inteligível. Preciso pesquisar sobre o Frank Wedekind, pois com certeza soa revolucionário para a época em que foi escrito, tanto pela temática fortemente erótica quanto pela forma. O mérito desta montagem é não permitir que os aspectos literários a soterrem e, neste sentido, é uma realização que, se não chega a ser arrebatadora, atinge o alvo a que se propõe, com boas interpretações, boas imagens e algumas doses de experimentação. Só acho que a figura de Lulu poderia ser mais interessante, mais ambígua, com mais nuances. Mas nada que venha a derrubar este bom trabalho.

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