sábado, 26 de junho de 2010

Avenida Q: A primeira vez...


Na Panela: Avenida Q [Com novo elenco e direção de Christina Trevisan, sob direção original da grife Charles Moeller&Cláudio Botelho]
Onde: Teatro Carlos Gomes (Na esquisitérrima Praça Tiradentes... Aposto que vou ser assaltado nas imediações quando for ver a temporada popular da Deborah Colker, caso eu não pegue um táxi).
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Eu poderia começar a escrever igual à Bárbara Heliodora aqui [A luz em geral é _____. Os figurinos são _____. O cenário é ______. O elenco em geral está ______, com destaque para ______. A direção _____, mas ______.] Aliás, ela tem escrito cada vez pior no Globo, as resenhas parecem todas iguais, com a mesma estrutura e nada informativas. Sinceramente, perdi a referência, nunca imaginei que uma intelectual tão influente soasse tão banal no jornal. Quando Avenida Q estreiou em 2009, por exemplo, ela foi a única que publicou um texto lacônico e menosprezou o humor debochado e politicamente incorreto do espetáculo, afirmando que ele seria distante para nós brasileiros. Pois eu ri de chorar no Primeiro Ato, coisa raríssima! Este foi o primeiro musical que vejo no palco (o seu lugar?) e vi, mesmo não sendo especialista, o que entendo que um musical deva ser: um genêro que nunca, em hipótese alguma, pode se servir de músicas de modo acessório. Enredo, canções e coreografias tem que ser unitários, não meras extravagâncias ou cerejas de um bolo que às vezes nem é tão gostoso (Vejam os exemplos cafonas de Hollywood, que produziu muito picolé de chuchu sob o rótulo de caviar). Avenida Q é conduzido e narrado pelas canções, seria impossível pensá-lo sem elas. E elas são uma delícia! Não me lembro nem da metade das melodias neste exato momento em que escrevo, mas todas funcionam no espetáculo com suas letras excelentes, isto é que importa. As coreografias ficaram de fora, claro, pois a grande maioria dos impagáveis personagens são bonecos e o elenco se equilibra brilhantemente na tarefa de dar vida a todos eles e de cantar. Os Ursinhos do Mal, o Trekkie Monster (o número "A internet é pornô", protagonizada por ele, é hilariante) e a cantora Lucy de Vassa pagam o ingresso. Baratinho, aliás. Minha carteira de estudante é uma navalha!!!